domingo, 13 de abril de 2014

A morada do medo

Sei a morada do medo: vem de tudo o que não podemos controlar. Não será propriamente uma novidade mas tendo-o escrito ajuda-me a percebe-lo melhor.

E o que é que não controlamos? Em primeiro lugar a reacção dos outros e é aí que vou procurar centrar-me.

Chamo timidez à forma mais "leve" de temer a reacção dos outros. Ansiedade social como uma forma mais pesada.

Devido essencialmente ao desenvolvimento tecnológico actualmente a interacção social está fragilizada, perdida e é alvo de muitas interrogações.

Ao comunicarmos mais com prejuízo do convívio, a fronteira entre o que somos e o que parecemos torna-se mais visível e ao mesmo tempo mais obscura; na realidade não temos grande controlo sobre isso. Não será primordial que queiramos primeiro que tudo controlar quem somos? Sem controlarmos quem somos e muito menos os outros (leia-se: sem sabermos quem somos e muito menos quem são os outros) deixamos-nos paralisar pelo medo. 

Constato assim que estamos mais medrosos e inseguros nas nossas interacções com os outros. Apenas sei que o medo, como tudo, quando ultrapassa o limite da razoabilidade é perigoso. Começa por ser paralisante até tornar as pessoas inactivas.

O meu lema é: é preferível morrer a viver com medo. Quero com isto dizer que temos de enfrentar todos os nossos medos porque não fazê-lo é uma morte lenta e eu não quero morrer cedo. 


sexta-feira, 4 de abril de 2014

O amor


O melhor desarme é o amor. Embora seja um ensinamento milenar acredito que poucos somos aqueles que o colocamos em prática.

Responde com amor, sobretudo quando não esperam que o faças. Não porque é “correcto”, não porque és fiel a determinada religião, mas porque só pode ser esse o caminho.

Esse amor tem de vir do mais profundo de ti e, se realmente vier, é o teu melhor amigo e companheiro. Aí vais tornar-te uma pessoa cada vez melhor.

Todos nós “gritamos” aos quatro ventos que queremos ser melhores pessoas, mas quantos de nós fazemos algo nesse sentido?

Sim este não é um texto lamechas sobre o amor e eu que adoro textos lamechas! É para pensarmos, porque nunca é demais, no amor que damos ao próximo, aos nossos irmãos que nos acompanham nesta jornada diária e no amor que dispensamos a nós mesmos.

Quantas vezes te “atacaram” e respondeste com amor? Quantas vezes “atacaste” alguém e essa pessoa respondeu-te com amor e compreensão?

“Nada do que é humano me é estranho” (Terêncio) porque afinal “somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos” (William Shakespeare).

É com essa premissa presente nas nossas vidas, com essa noção de irmandade que devemos procurar compreender o outro, aceitá-lo como parte de nós mesmos, amá-lo, amarmo-nos.

Talvez escreva como vivo, no mundo da lua, mas ainda quero acreditar nos meus sonhos de criança, que este mundo pode ser realmente melhor se assim o quisermos, que tu podes realmente melhorar se o desejares e que, juntos, podemos preservamos o melhor que este planeta tem…o amor.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Vida dji novela


Hoje em dia as pessoas desenham a sua vida já com olhos postos na sua biografia. Imaginam os seus passos pessoais e profissionais descritos na sua novela bem sucedida.

 A verdade é que não posso afirmar que “isso é de hoje” mas com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) deixamos, pelo menos, mais “documentos” que marcam a nossa passagem. E nessas marcas biográficas queremos as paisagens mais maravilhosas, de preferência rodeados de amigos a beber uma qualquer bebida alcoólica a simbolizar a nossa (aparente) felicidade: o cenário novelesco perfeito, portanto.

Mas esse cenário não é completo sem os maus momentos. Se por um lado não queremos “manchar” a nossa biografia, por outro lado são esses “baixos” que nos tornam humanos. Querendo nós ser bem-sucedidos dentro e fora das redes sociais não admira ver traços mais tristes da nossa personalidade escarrapachados nos meios digitais (aliás não deixa de admirar mas isso já é outra história).

Mas como se escreve a nossa biografia? É certo que deixamos um rasto de nós nas redes sociais mas aceitamos com tranquilidade que isso nos defina? Creio que a resposta é não. Embora não saiba como escrever uma biografia actualmente que não descure “estes mundos” em que vivemos, acredito que todos nós temos uma ideia de como queríamos que nos retractassem, como está supracitado.

Sendo certo que “o que somos de verdade e o que queremos só nós sabemos” (Martha Medeiros) a maneira como nos expomos cada vez mais em todo o lado faz-me desconfiar desta máxima (será que essa exposição nas redes sociais não nos faz expor mais no dia-a-dia quando falamos com aqueles que nos são próximos pelo facto de à partida saberem mais sobre a nossa rotina, etc.?).

Termino com a preocupação de como o mundo virtual está a sugar as nossas vidas (o que acho perigoso) e com o apelo de que a nossa vida seja mais vivida, com menos photoshop e menos “cenas dji novela”.