Hoje
em dia as pessoas desenham a sua vida já com olhos postos na sua biografia.
Imaginam os seus passos pessoais e profissionais descritos na sua novela bem
sucedida.
A verdade é que não posso afirmar que “isso é
de hoje” mas com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) deixamos, pelo menos, mais “documentos” que marcam a
nossa passagem. E nessas marcas biográficas queremos as paisagens mais
maravilhosas, de preferência rodeados de amigos a beber uma qualquer bebida alcoólica
a simbolizar a nossa (aparente) felicidade: o cenário novelesco perfeito,
portanto.
Mas esse cenário não é
completo sem os maus momentos. Se por um lado não queremos “manchar” a nossa
biografia, por outro lado são esses “baixos” que nos tornam humanos. Querendo
nós ser bem-sucedidos dentro e fora das redes sociais não admira ver traços
mais tristes da nossa personalidade escarrapachados nos meios digitais (aliás
não deixa de admirar mas isso já é outra história).
Mas como se escreve a
nossa biografia? É certo que deixamos um rasto de nós nas redes sociais mas
aceitamos com tranquilidade que isso nos defina? Creio que a resposta é não.
Embora não saiba como escrever uma biografia actualmente que não descure “estes
mundos” em que vivemos, acredito que todos nós temos uma ideia de como queríamos
que nos retractassem, como está supracitado.
Sendo certo que “o que somos
de verdade e o que queremos só nós sabemos” (Martha Medeiros) a maneira como
nos expomos cada vez mais em todo o lado faz-me desconfiar desta máxima (será
que essa exposição nas redes sociais não nos faz expor mais no dia-a-dia quando
falamos com aqueles que nos são próximos pelo facto de à partida saberem mais
sobre a nossa rotina, etc.?).
Termino com a
preocupação de como o mundo virtual está a sugar as nossas vidas (o que acho
perigoso) e com o apelo de que a nossa vida seja mais vivida, com menos photoshop
e menos “cenas dji novela”.
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