Esqueci-me da alegria, da descontração, como quem deixa parte do seu cérebro adormecer, parte do seu coração partir. Esqueci-me...talvez não seja a melhor palavra. Deixei morrer aquela pessoa que agradecia por tudo, pelo sol, pelo tecto, pela água potável, pela comida na mesa, pelas pessoas também. Atropelei-me. Achei que salvava alguém, mas não. Caí e tudo continuou na mesma. Temos de nos ter para nós próprios. Segui atropelando o meu corpo, os gestos, as palavras e a alegria tornou-se uma miragem cada vez mais distante. A vida segue e não recuperamos o que foi. Podemos tentar plagiar o que fomos, mas as nossas tonalidades agora são outras. Como trazer de novo a alegria ao dia-a-dia então?
Começando, talvez, por não repetir o que a roubou. Se for para cair, para tropeçar, que seja por nós próprios. Mais facilmente existe fuga que gratidão. Mais facilmente existe interrogação do que afirmação. Mais facilmente existe desconfiança do que aceitação de uma entrega plena e desinteressada. Então foge, interroga, desconfia. Mas não queres mudar porque não te queres corromper com valores que nunca te guiaram. Aceito. Aceito porque sem falar em nomes há referências. Não fujas, não interrogues, nem desconfies demasiado. Muda em outras coisas, mas não no essencial. O belíssimo ser humano que és, não se copia, é irrepetível, único. E o essencial em ti é que carregas o peso do mundo nos teus ombros e não te encurvas; o essencial em ti é que carregas um amor pelo próximo que poucos alimentam - deixa estar, isso é para os fortes; o essencial em ti é que nunca vais verdadeiramente mudar e o mundo só tem a ganhar com isso.
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